Revista Bimensal 
Edição 15 - Junho 06
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Visualizar, Ler e Escrever


Rute Navas
Professora
 Esc. Sec. Emídio Navarro - Almada


Hoje em dia não é possível ignorar a importância das metodologias de ensino que recorrem aos processos mediáticos para aprendizagem dos conteúdos escolares. Esta afirmação, aparentemente indiscutível, será defendida numa perspectiva formativa, mostrando como a Internet interessa à interacção pedagógica, numa perspectiva da análise crítica. Destacamos este meio de comunicação pela multiplicidade de usos que pode ter no espaço escolar, pois abre caminho a outras estratégias de leitura, já largamente exploradas nos países de língua inglesa.

Basta fazer uma pesquisa a certos sítios da Internet indústria inglesa para nos apercebermos como existe uma forte preocupação em articular o mundo económico à educação e à cultura nacional. De uma forma hábil e inteligente a empresa de chocolates Cadbury (marca conhecida desde o final do séc. XIX, com exportação mundial) apresenta uma área do seu site exclusivamente dedicada à aprendizagem (http://www.cadburylearningzone.co.uk/). As orientações são claras e precisas tanto para os professores, como para os alunos e encarregados de educação: o sítio aponta graus de exigência no aprofundamento dos conteúdos, estabelece metodologias interdisciplinares e apresenta guiões que interessam ao trabalho de projecto e às actividades dinamizadas numa oficina de escrita. A fórmula visual encontrada pela Cadbury é eficaz, pois transforma a relação didáctica num acto de prazer. Assim, as expectativas do leitor (o professor, aluno, encarregado de educação) são aparentemente satisfeitas e a aposta mediática da empresa no plano educativo reverte-se a favor do consumo do produto, oferecendo a mais valia económica de interesse nacional. Contudo, seria demasiado ingénuo reduzirmos esta aposta meramente às intenções financeiras, uma vez que a preocupação é fundamentalmente educativa: legitimiza de uma forma inovadora a memória colectiva associada ao papel da Inglaterra na produção do chocolate.

É certamente um sítio com o qual podemos aprender a gizar estratégias de leitura, desenvolvendo actividades de aprofundamento e de tomada de consciência do papel da Europa na exploração do chocolate e do café.

Neste sentido, deixo aqui uma sugestão que poderá corresponder a estas exigências mais reflexivas: trata-se da leitura do romance de Miguel Sousa Tavares, Equador. É seguramente um livro a ler e a discutir com alunos do ensino secundário: nele despontam argumentos para pesquisar e escrever sobre um tema actual e oportuno, contribuindo para a formação dos valores cívicos e ideológicos do cidadão português: um cidadão com uma história cultural comum a tantos outros cidadãos europeus.