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Visualizar, Ler e Escrever
Rute Navas
Professora
Esc. Sec.
Emídio Navarro -
Almada
Hoje
em dia não é possível ignorar a importância das metodologias
de ensino que recorrem aos processos mediáticos para
aprendizagem dos conteúdos escolares. Esta afirmação,
aparentemente indiscutível, será defendida numa perspectiva
formativa, mostrando como a Internet interessa à interacção
pedagógica, numa perspectiva da análise crítica. Destacamos
este meio de comunicação pela multiplicidade de usos que
pode ter no espaço escolar, pois abre caminho a outras
estratégias de leitura, já largamente exploradas nos países
de língua inglesa.
Basta fazer uma pesquisa a certos sítios da Internet
indústria inglesa para nos apercebermos como existe uma
forte preocupação em articular o mundo económico à educação
e à cultura nacional. De uma forma hábil e inteligente a
empresa de chocolates Cadbury (marca conhecida desde o final
do séc. XIX, com exportação mundial) apresenta uma área do
seu site exclusivamente dedicada à aprendizagem (http://www.cadburylearningzone.co.uk/).
As orientações são claras e precisas tanto para os
professores, como para os alunos e encarregados de educação:
o sítio aponta graus de exigência no aprofundamento dos
conteúdos, estabelece metodologias interdisciplinares e
apresenta guiões que interessam ao trabalho de projecto e às
actividades dinamizadas numa oficina de escrita. A fórmula
visual encontrada pela Cadbury é eficaz, pois transforma a
relação didáctica num acto de prazer. Assim, as expectativas
do leitor (o professor, aluno, encarregado de educação) são
aparentemente satisfeitas e a aposta mediática da empresa no
plano educativo reverte-se a favor do consumo do produto,
oferecendo a mais valia económica de interesse nacional.
Contudo, seria demasiado ingénuo reduzirmos esta aposta
meramente às intenções financeiras, uma vez que a
preocupação é fundamentalmente educativa: legitimiza de uma
forma inovadora a memória colectiva associada ao papel da
Inglaterra na produção do chocolate.
É certamente um sítio com o qual podemos aprender a
gizar estratégias de leitura, desenvolvendo actividades de
aprofundamento e de tomada de consciência do papel da Europa
na exploração do chocolate e do café.
Neste sentido, deixo aqui uma sugestão que poderá
corresponder a estas exigências mais reflexivas: trata-se da
leitura do romance de Miguel Sousa Tavares, Equador. É
seguramente um livro a ler e a discutir com alunos do ensino
secundário: nele despontam argumentos para pesquisar e
escrever sobre um tema actual e oportuno, contribuindo para
a formação dos valores cívicos e ideológicos do cidadão
português: um cidadão com uma história cultural comum a
tantos outros cidadãos europeus.
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