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A CIÊNCIA NOS JORNAIS ESCOLARES
Rosário Oliveira
Ciência Viva
A
questão que a maioria de vós colocará não será “Porquê a
Ciência nos jornais escolares?” mas antes “Por que motivo
não está a Ciência presente no jornal escolar?”.
Com tantas questões que se colocam a todos e para as
quais se espera uma resposta da Ciência, abordar temáticas
de Ciência no jornal está justificado.
Essa tem sido a norma em várias publicações das
escolas. O objectivo deste artigo é que abordagem de
temáticas de Ciência se alargue a muitos mais jornais e
ganhe estatuto nessas publicações.
Os jornais escolares poderão ser um bom meio de
divulgação da ciência dentro da escola e na comunidade
envolvente. Para isso há que seleccionar temáticas que
despertem o interessante do público; conseguir artigos
apelativos, que sejam lidos por um público não especialista;
que tornar conceitos científicos facilmente compreensíveis
por um público sem formação científica; garantir
colaborações diversificadas nos vários números do jornal.
E os pretextos são vários.
As visitas de estudo a centros de Ciência, a
laboratórios, a empresas com componente de Investigação e
Desenvolvimento, são um bom pretexto para a elaboração de
artigos, desde que previamente planificadas tendo esse como
um dos objectivos da visita em mente / a recolha de
informação para utilização posterior num artigo.
Poderão ser previstas entrevistas a pessoas da
instituição a visitar, desde que previamente preparadas e
que os interlocutores sejam avisados antecipadamente.
Como apoio à criação de artigos a partir de visitas
de estudo sugere-se a consulta do artigo, da autoria dos
jornalistas Ana Gerschenfeld, António Granado e José Vitor
Malheiros, criado no âmbito de um projecto anterior, mas que
se mantém actual (disponível em:
www.cienciaviva.pt/healthxxi/editors.asp).
Os trabalhos escolares e / ou as actividades
realizadas nas aulas das disciplinas de Ciências Físicas e
Naturais podem ser um bom ponto de partida para artigos a
publicar nos jornais escolares, desde que haja o cuidado de
os adaptar ao público generalista a que se destinam e o
suporte / meio em que vão ser publicados.
Desse modo os trabalhos dos alunos passam a ter um
público, vão passar informação a leitores com pouca
informação sobre os assuntos, deixando de se destinar apenas
ao professor.
O professor passa a dispor de um meio que lhe permite
assegurar que os alunos de facto aprendem. Escrever para um
público alargado sobre um assunto, ser capaz de explicá-lo,
é o garante de que o aluno aprendeu de facto / domina a
assunto.
De notar que a publicação dos resultados e conclusões
de trabalhos dos alunos no jornal da escola é um dos
suportes sugerido nos documentos de orientações curriculares
para o ensino básico.
Debates na escola sobre temáticas de Ciência podem ser um
bom ponto de partida para uma notícia no jornal da escola.
Ganha se for acompanhado de um artigo com informação
complementar e/ou de uma entrevista a um dos convidados para
o debate, sempre com vista a clarificar alguns pontos do
debate.
A maioria das temáticas que constam dos programas
escolares são interessantes para artigos a criar pelos
alunos.
A título exemplificativo deixamos algumas temáticas
sugeridas no documento Orientações curriculares: Ciências
Físicas e Naturais (3º ciclo): Gestão sustentável de
recursos naturais; Perturbações no equilíbrio dos
ecossistemas; Gestão sustentável dos recursos naturais;
Influência da actividade humana na atmosfera terrestre e no
clima; conservação e preservação de geomonumentos; riscos
sociais e ambientais associados à actividade industrial;
Riscos das inovações científicas e tecnológicas para o
indivíduo, a sociedade e o ambiente.
Os Clubes de Ciência, existentes em muitas escolas,
têm no jornal escolar um meio para a publicação de artigos
de divulgação científica e até para darem a conhecer a sua
actividade.
Os trabalhos realizados no âmbito da área Projecto
ganharão de foram publicados no jornal de escola, uma vez
que passam a chegar a um público alargado.
Sempre que um assunto relativo a uma temática de
Ciência desperte o interesse do público, esse será um bom
motivo para a criação de artigos para o jornal de escola,
tentando esclarecer, em especial quando se tratar de um
assunto em que não há muita informação.
Neste caso, aconselha-se a consulta das secções de
Ciência de jornais nacionais é uma boa estratégia para a
criação de um dossier sobre o tema e, posteriormente, do
artigo. Não esquecer a citação das fontes consultadas. Esta
sugestão está em consonância com as recomendações dos
programas escolares que apontam para a consulta de jornais
para pesquisa de informação.
O recurso ao apoio dos professores de Ciências é
igualmente útil e permitirá clarificar conceitos, ajudando a
que sejam transmitidas de um modo mais claro ao público.
Por vezes terá interesse colocar uma pergunta a
especialista na temática em questão, através do Correio
Electrónico. Nesse caso há que acautelar que colocam
questões simples e directas, não exigindo muito tempo a quem
vai ter de vos responder. É sempre conveniente referir o
contexto / razão da pergunta que colocam e onde ser
publicada, e, claro, prever tempo até à recepção da
resposta.
Tratando-se de assuntos polémicos, será vantajoso
abrir um debate, sempre facilitado no caso dos jornais
electrónicos.
Uma outra sugestão. Por que não manter uma secção com
sites de ciência ou de obras de divulgação de científica
recomendados, com comentários valorativos? Basta a sugestão
de um site ou livro por cada edição do jornal.
A equipa do jornal pode organizar a colaboração de
diferentes turmas da escola, estabelecendo um calendário
para os vários contributos ao longo do ano, bem como as
regras de colaboração: características dos artigos, revisão
final dos artigos, decisão sobre a publicação. Desse modo
alarga-se a colaboração a toda a escola e há a garantia de
terem sempre artigos “em carteira” disponíveis para
publicação.
De tudo o que fica dito, e na linha do que já
acontece em muitas publicações escolares, faz sentido manter
uma secção de Ciência, autónoma e permanente, em cada uma
das edições dos jornais escolares. Fica a sugestão.
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